sábado, 7 de fevereiro de 2009

Gerontologia e geriatria

O tempo metamórfico do após 2ª guerra mundial, era futuro que viria a revelar-se no despontar do séc. XXI; ele imprimiu nas comunidades profundas alterações, demográficas e outras que lhes são inerentes, as quais moldaram a Medicina de toda a Europa. Em consequência surgiu a Medicina Familiar que enriqueceu a Clínica Geral e desenvolveram-se a Psiquiatria, a Psicologia, a Sociologia e a Reabilitação, entre outras valências que se integraram nas restantes especialidades médicas e, todas elas intrincadas, promoveram a Medicina; aqui, em Portugal, começou a reivindicar-se insistentemente a Gerontologia e a sua parcela Geriatria que têm por objectivo o estudo da senescência, cuidar dos seres humanos na senilidade, prevenir, tratar e curar, se for possível, doenças no Idoso e assistir ao Idoso-Doente.
A necessidade e a imprescindibilidade da Geriatria surgiu porque desde então se assiste ao explosivo envelhecimento da população devido à conseguida diminuição da fecundidade e consequente diminuição da natalidade e ao aumento do número de idosos cada ano com mais anos, mercê de sólida intervenção da Medicina Interna e doutras valências médicas que, no entanto, não se responsabilizaram pela qualidade de Vida existencial desses longevos, não por desumanidade mas porque não puderam nem souberam, por não estarem vocacionadas para tal. Só as ciências que estudam o envelhecimento, a Gerontologia e o seu ramo a Geriatria, estão aptas para, sem amadorismos, cuidarem do Idoso, prevenirem-lhe as doenças e tratarem-nas; estão vocacionadas para tal não só porque são abrangentes, mas também porque se transcendem, ao tratarem a doença, numa assistência integral ao Idoso perturbado, isto é, ao Idoso-Doente.
A Medicina Interna, essencialmente organicista, está vocacionada para a doença, enquanto a Gerontologia/Geriatria estão vocacionadas para o Idoso, para o Idoso-Doente e para as doenças que o Idoso tem; estão vocacionadas para a manutenção da Saúde, da Felicidade do Idoso porque, para o geriatra, é mais importante o Doente que a doença. É que na Geriatria vive uma filosofia, uma doutrina específica, que não é a das outras valências médicas, a qual responde às especificidades do Idoso que são diferentes das que se verificam nos seres-humanos em idades da infância, da adolescência e da adultícia. É esta doutrina e a diferenciação do Idoso que justificam mandatariamente o reconhecimento da imprescindibilidade da Gerontologia e Geriatria numa sociedade em desenvolvimento que pretende cultivar o Humanismo; numa nação da UE que deveria encontrar soluções equivalentes às doutros países desenvolvidos A Ordem dos Médicos ainda não decidiu criar a especialidade mas a titularidade não é peremptória para a satisfação das necessidades do Idoso. É ele, o Idoso, que vai preferindo o geriatra ao internista ou ao médico de família por razões inerentes aos benefícios experimentados. Os governos não se dispensarão de criar o Hospital Geriátrico, como também nunca poderiam ter dispensado o Hospital Pediátrico; é que já se vai notando a tendência para haver mais caixões que berços.
O Idoso é um ser humano diferente da criança e do adulto que foi, mercê de cinco especificidades que o caracterizam:
  1. DIFERENCIAÇÃO; o Idoso através do seu senescer torna-se cada vez mais diferente do outro, é cada vez mais idêntico a Si mesmo, no desenvolvimento e realce das suas qualidades, positivas e negativas, que o foram estruturando desde a infância.
  2. LENTIFICAÇÃO (bradipsiquia e bradicinesia); o Idoso lentifica progressivamente os movimentos activos e os passivos, os reflexos, a cinética fisiológica, a percepção, o entendimento, a comunicação, os processos biológicos vitais e, até mesmo, os inconscientes comportamentos teleológicos da Espécie que nele vivem.
  3. Perda de Capacidades ADAPTATIVAS; a dificuldade de adaptação a novas situações aumenta com a progressão da senescência e do simultâneo declínio da allostasis.
  4. MISONEÍSMO, isto é, horror às mudanças, principalmente à mudança de ideias, o que pode condicionar a temível neurose de carácter.
  5. DISFUNÇÃO AFECTIVA, labilidade emocional, expressa em frequentes incontinências emocionais; esta característica pode estar relacionada com o aumento da monoaminoxidase (MAO), ou pode também resultar de patologia neurológica, doença por multi-enfartes, para além da especificidade característica de quem senesce.
Estas características permitem-nos reconhecer o Idoso-Doente pela perda de autonomia e de independência que resulta dela lhe imprimir diferenças bio-psico-sociais:
  1. Está mais dependente de factores psicológicos e sociais devido à dialéctica fragilizada e perturbada entre ele e o meio eco-social.
  2. Tende para a cronicidade e para a invalidez, situações que não encontram a solução na Medicina Interna, mas beneficiam dos cuidados geriátricos dirigidos ao idoso que não tem indicação para farmacoterapias.
  3. Tem maior necessidade de reabilitação cujos resultados são mais demorados.
  4. Tem invariavelmente uma multimorbilidade na qual predominam patomorfismos de usura, de desgaste, erradamente, a meu ver, classificados como doenças; doença é o que exige farmacoterapia e é susceptível de cura.
Tem grande susceptibilidade para iatrogenias que resultam de fármacos, de inactividade, de psicoterapia mal formulada, duma comunicação defeituosa ou até de carência de intenção; são exemplos de doença iatrogénica a pneumonia, a embolia pulmonar, a rigidez e as anquiloses, a hipotrofia muscular, a osteopenia e a osteoporose, a infecção urinária, a incontinência esfincteriana, as úlceras de decúbito, as síndromes confusionais, a síndrome de regressão, o anaclitismo, a depressão, o agravamento de patomorfismos demenciais, e muitas outras patologias.

O Idoso vive as suas doenças (concretas ou imaginadas, mas todas elas reais para o Doente) para além da biofísica, em comportamentos perturbados com perspectivas de futuro angustiante no qual há vivências ruminadas de morte, duma morte mitificada e nunca mitigada, porque nunca foi tema de diálogo entre Idoso e médico, na intenção de o libertar dos medos que povoam a sua interioridade, para uma adaptação que o conduzirá a uma morte tranquila; esta práxis gerontológica não consta dos propósitos da Medicina Interna por ausência de vocação.

Também as doenças no Idoso têm características que este lhes imprime:
  1. Têm sintomatologia larvada; são insidiosas, pérfidas, lentas, de frágil expressão e, por isso, dificultam o diagnóstico.
  2. São múltiplas.
  3. Dificultam e limitam a terapêutica.
Também na terapêutica há condicionalismos relacionados com especificidades do Idoso, as já referidas e outras de natureza exclusivamente anatomofisiológica que são causa de perda da homeostasia:
  1. Perda de massa protoplásmica metabolicamente activa, isto é, perda de células,o que significa que há menos consumidores para o fármaco administrado, pelo que a posologia deve ser estudada, diminuída, adaptada.
  2. Défice de absorção devido à hipotrofia da mucosa intestinal.
  3. Diminuição da albumina sérica pelo que a fracção livre do fármaco aumenta, o que se traduz numa possibilidade de iatrogenia.
  4. Diminuição e lentidão do metabolismo hepático.
  5. Declínio da eliminação renal pelo que o tempo do fármaco em circulação aumenta com probabilidade de iatrogenia.
O tratamento farmacológico no Idoso é uma mínima possibilidade terapêutica; tratar a doença sem abordar o conflito psíquico é prolongar a farmacoterapia e, consequentemente, é expor-se a um risco iatrogénico. A patologia do Idoso nunca é redutível ao biológico, nem ao psicológico, nem ao social; ela engloba doenças da comunicação, perturbações psico-sociais, perturbações funcionais, doenças somáticas, alterações psiquiatras, doenças iatrogénicas todas intrincadas, isto é, a patologia do Idoso é transbiopsicosociológica e também cultural. O Idoso, quase sempre quérulo, acrescenta às suas doenças, alterando-as, sofrimento de reminiscências, de inadaptações, de desamor, de inibição, de medos sempre relacionados mais com o morrer do que com a morte. A memória no Idoso não é uma recordação, mas é a presentificação permanente e dolorosa de emoções que investem relações e imaginações vividas no passado, no qual ele muitas vezes se fixa; a convergência dos globos oculares é um comportamento de fuga para a sua interioridade povoada por aquele passado moderador da solidão que o consome nos seus dias de existência morta.
Resulta assim que os cuidados de saúde a prestar ao Idoso, doente ou saudável ou com doenças, terão de ser específicos, globais e completos, continuados e personalizados, e deverão dirigir-se não só à prevenção no diagnóstico do adoecer, ao tratamento, à reabilitação e à sua reinserção na família e na comunidade, mas também a uma informação e educação psicoterápicas que o conduzam à reaprendizagem de ser saudável por ser feliz. A velhice feliz prepara-se com antecedência.
Bem envelhecer é aquisição de sabedoria através duma peleja dicotómica de presunção desejada e dúvida desesperante rumo à essencialidade, numa permanente motivação bio-psico-sócio-transcendental; é ascensão ao SER, através do ter-sido, no combate a um não-ser, durante o viver existencial.
Este cenário de especificidades não é compatível com a práxis do médico estranho à Gerontologia/Geriatria.
Assistir ao Idoso exige uma visão específica sobre as suas complexidades que deve constituir o conteúdo estruturante da investigação clínica e da assistência ao Idoso situado no tempo e no espaço, em dialéctica com a ambiência e consigo próprio, e sujeito à consciência teleológica da Espécie, da qual consciente ou inconscientemente se foi depurando, por racionalização, através do viver existencial que constituiu a sua História autobiográfica.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Rejuvenescimento / Longevidade

Desde tempos perdidos nas lonjuras do passado, tem sido a ambição do Ser-Humano contrariar a senescência, na recusa da “senil-idade”, em alternância antitética com o desejo de longa cronografia existencial sem que, infelizmente, tenha sido considerada a qualidade da vida. Muitas têm sido as proposições teóricas para contrariar a evolução do senescer e sempre em conflito com os medos da “morte”. De todas as teorias, a mais aceitavel actualmente e desde os anos da 2.ªGuerra Mundial é a dos Radicais Livres de Oxigénio os quais danificam os processos biológicos por envelhecimento mitocondrial da célula e por consequente destruição da sua função e encurtamento da longevidade.
Mais recentemente, estudos de estimulação cerebral impulsionaram a longevidade e a recuperação em doentes com défices cognitivos e com doença de Parkinson, por reactivação de regiões cerebrais profundas, nomeadamente do hipotálamo mas, só se conseguiu em fase precoce da doença, isto é, quando as células ainda guardavam energia, capacidade funcional e ainda tinham possibilidade de utilização de nutrientes (0++,H+ e glicose); em síntese, antes da célula atingir uma senescência avançada (senilidade) ou, obviamente, antes de morrer.
Envelhecer não é adoecer mas pode ser a causa de perda de capacidade imunitária, condição “sine qua non” para o adoecer. Deste conceito se infere que a Medicina Profiláctica é soberana nestes contextos; — tratar o terreno favoravel à instalação da doença a qual, no Idoso, pode prenunciar a morte, porque é uma reacção inadequada e frágil contra o agente patogénico devido à perda de energia biológica.
É sabido que a ATP (adenosina trifosfato) é a fonte celular de energia produzida atravès do ADN das mitocôndrias. Investigações chefiadas pelo Prof. Birkmayer encontraram a molécula biológica universal — (universalizada, desde sempre, em toda a célula, em todo o ser vivo) — de energia electrizante que transmite à célula energia sob a forma de ATP; é a NADH (nicotinamida adenina di-nucleótido hidreto) também chamada Coenzima1 registada e patenteada com os nomes “Enada” e “Enachi”. É um bio-activador energizante nas esferas psíquica e física, aumenta a capacidade imunitária, melhora a qualidade de vida existencial, promove o élan vital, reequilibra o metabolismo eliminando vícios metabólicos, minimiza o tecido adiposo periférico e visceral, é um poderoso anti-oxidante, aumenta a longevidade e rejuvenesce.
O miocárdio, o músculo estriado e o sistema nervoso central são os órgãos que mais evidenciam os efeitos da NADH, particularmente o cérebro (neurónio, nevróglia e neuromodulação).
Actualmente, a noção de células post-mitóticas exige revisibilidade; o determinismo de perda de massa protoplásmica metabolicamente activa definhou. Cada um de nós é responsavel pelo seu cérebro porque somos nós que o fazemos e o mantemos; podemos regenerá-lo constantemente, procrestinando défices cognitivos e outros, pela Actividade a qual confere ao neurónio, por mecanismos homeostáticos, a exigência do consumo de nutrientes, causa de aumento local da irrigação sanguínea; porém, como já foi referido, para a célula activar necessita de energia (ATP<-NADH).
A actividade envolve sempre 3 acções: cognição, afectividade e motricidade — as esferas psicológica fisiológica e anatómica do Ser-Humano.
A NADH e o incremento da ATP não são iatrogénicos independentemente da quantidade ingerida e sendo, actualmente, indispensavel na Geriatria/Gerontologia na prevenção da senescência mórbida, previne também graves patologias que oportunamente, por perda de imunidade, se instalam na “senil-idade”.

sábado, 31 de janeiro de 2009

Aspectos Gerontológicos e Geriátricos do Senescer

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segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Utopia e Saúde Mental

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segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Psicopatologias

O modelo estrutural da psicopatologia é a neurose que é uma doença da comunicação e abrange a ansiedade, a angústia, a depressão e outras, todas intrincadas e geradoras de patologia somática versátil que engloba doenças funcionais,e também inflamatórias, infecciosas e neoplásicas por definhamento das capacidades imunitárias, e ainda geradoras de acidentes objectivados em doença física e/ou química por perturbação, consciente ou inconsciente, do élan de viver a existência e podem condicionar aumento dos níveis séricos da uricemia, da glicemia, dos ácidos gordos livres e do colesterol. Assim sendo, deve formular-se o diagnóstico do adoecer em antecipação à constatação do Ser-Doente. A depressão, como patologia muito incapacitante, deve ser considerada quando:
1. O sintoma prevalece de manhã e se atenua ou desaparece com o declíneo do dia.
2. A terapêutica da suposta doença orgânica se revela ineficaz, a pesar de ser julgada adequada ao dignóstico formulado.
3. A terapêutica, sendo sintomática ou polipragmática, condiciona a fuga do sintoma, isto é, quando a terapêutica "cura" ou melhora o sintoma e, a seguir, aparece outra queixa que também melhora com outra terapêutica para depois aparecer outra "doença". Todo o fármaco supostamente instituído com critério que "cure" a "doença" mas não o Doente, deve obrigar a uma revisibilidade da atitude do terapeuta.
4. Há dissociação entre a clínica e os elementos asuxiliares de diagnóstico.
5. Os sintomas se localizam em áreas corporais que primeiro foram atingidas na existência, ao nascer; as dermopatias são raras como somatizações no Ser-Humano cesariado, o que não sofreu o atrito ao atravessar o túnel vaginal durante o parto.
No Idoso, a versatilidade das etiologias ( biológicas, psicossociais e psicodinâmicas ) e a exuberância dos quadros clínicos que podem atingir o delírio, como a terrível mas felizmente rara síndrome de Cotard, devem ser seriamente consideradas porque conferem à depressão a maior importância gerontopsiquiátrica, depois das demências alzheimeriformes.
Os adolescentes deprimidos e também os angustiados procuram anancasticamente barbitúricos e benzodiazepinas assim como os psicóticos procuram anfetaminas - são equivalentes comportamentais respectivamente do neuroticismo e do esquizoticismo, aos quais devemos estar atentos.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

"A tua fé te salvou"

Todo o comportamento bio-psico-social é determinado pelo pensamento e pelo sentimento; isto é, a qualidade do psicossomatismo, do fisiológico e da sociabilidade é dependente da cognição, principalmente quando esta é exaltada pela emoção. Assim também, no processo terapêutico, o fármaco intervém na cura da doença só quando o médico o investe com intenção no Doente, ao qual transmite a sua crença; isto é, o Doente cura-se só quando crê que vai curar-se. É o processo da capacidade de auto-cura que todo o Ser-humano possui quando consciente de Si.

O acto de curar, de reequilibrar um ser perturbado, de o re-adaptar à situação através duma re-aprendizagem a ser feliz, faz-se mobilizando a Mente pela acção directa do médico auxiliada, quase sempre, por uma simbologia como é a do fármaco; (a Mente não é uma coisa, é um processo que se desenvolve entre o SER/EU e o corpo/cérebro,- é o Processo Mental).

Tudo que é iniciado pelo Doente, ou no Doente quando consciente de Si, é iniciado com pensamento e emoção; o Ser-humano quando se perturba cria doenças e pensando-as e sofrendo-as mais se perturbará, isto é, far-se-á maior Doente; o Doente não o é se não estiver perturbado, se não pensar que é, se não tiver conhecimento da perturbação que pode ser uma doença, real ou imaginária, mas sempre real para o próprio. É que o Doente não é quem tem doença mas sim quem está perturbado.

Todo o pensamento e toda a emoção se somatizam; o pensamento pessimista, a infelicidade, a desgraça, a tristeza, a separação, os ódios perturbam o Ser-humano, fazem-no Doente que expressa as suas mágoas não verbalizadas no palco do corpo numa linguagem chamada doença, a qual justifica o pedido de auxílio condicionado pelo sofrimento; na realidade, essencialmente, os doentes sofrem do pensar e do sentir mas, por vezes, a doença está subjacente. Pensamentos e emoções "positivas" de união, solidariedade, Felicidade, Amor evitam e curam doenças não só porque estimulam o sistema imunitário de auto-cura, mas também porque restituem a alegria ao Ser perturbado. A perturbação causada pela mesma circunstância não é igual para todo o Ser-humano porque as coisas valem apenas a sua interpretação, são o que cada qual pensa e sente delas e cada um sente e pensa com a "psicomatéria" afectiva e cognitiva que possui, a qual é diferente de Ser para Ser porque foi adquirida não só numa aprendizagem prè-natal impressa "geneticamente" no Espaço e no Tempo, donde cada Ser tirou o seu tempo e o seu espaço existencial para uma outra aprendizagem em dialéctica com a ambiência eco-social e condicionada à "Consciência teleológica da Espécie"(?).

É para além das aparências sensíveis que se escondem as realidades, o númeno ainda inatingível mas já intuído e em investigação a caminho do "BIG-BANG" científico.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Arco-íris da Relação

O ambiente, o atmosférico, o que está entre os seres humanos é um factor extremamente importante porque é o veículo condicionante da comunicação, da relação inter-individual. É o ambiente que une e afasta pessoas; muitas vezes o ambiente é contaminado e sempre moldado pelos seres humanos.
A psicopatologia é a ciência que se ocupa da relação perturbada; a neurose é o seu modelo estrutural porque é uma doença da comunicação.
A Pessoa que não verbaliza serve-se do seu corpo para se expressar; muitas vezes esta expressão chama-se doença, mas pode também ser terapia, principalmente no Idoso marginalizado e amordaçado, despojado da sua autonomia. Quanto melhor for a sociabilidade menos necessidade há de ter a doença versus sintoma, modelo de autoterapia re-equilibrante. As linhas do reequilíbrio podem actuar como curativas ou como patogénicas; a somatização é um mecanismo de defesa reequilibrante da homeostasia; por isso, tratar a "doença" somática sem abordar o conflito psíquico etiológico é correr o risco de iatrogenizar o Doente.
O início insidioso duma patologia expressa mais uma psicogenia do que uma doença somática.
A recidiva da patologia é um factor que exige uma revisão do diagnóstico, das interpretações patogénicas ou da terapêutica.
A doença é o conteúdo cognitivo e afectivo do Homem perturbado que não verbaliza a sua perturbação; sem afectividade não há comunicação.
Quando a situação mórbida é grave a cooperação do Doente melhora e é facilitada a relação inter-individual. Don Quijote deixou de alucinar na agonia.
É no Doente psicótico, Ser fortemente perturbável e perturbante, que se verificam as maiores e as mais graves doenças da relação, o que exige uma grande atenção e profunda observação de sinais iniciais desta destruidora perturbação do Ser:  "o mundo está diferente" sic;  "algo de estranho anda no ar" sic; "o prédio em frente... máquinas, fios”...sic. Revela grande  perplexidade face ao que está a acontecer. Depois surgem alterações dos afectos (o Doente ri de factos tristes), e alterações perceptivas, ideação delirante. O delírio é o único modelo do psicótico comunicar o seu sofrimento que é muito, e profundamente humano. O esquizofrénico é hipersensível; o autismo e outras facetas comportamentais resultam de ele sentir agredida a sua sensibilidade; não devemos fixá-lo porque os olhos de terceiros têm para ele um significado delirante, assim como também o seu próprio olhar frente ao espelho, quando não se reconhece, quando ele é "Outro Ele".
As medidas a tomar são urgentes e resumem-se a três:
  1. Tentar compreendê-lo e que ele perceba que é compreendido;
  2. Realçar o seu sofrimento; mas nunca valorizar a doença, porque ele não se considera doente;
  3. Encaminhá-lo para a psiquiatria, o que só será possível se confiar no seu médico.

Muitas vezes, no jóvem, o psicoticismo é substituído pela "droga dura," onde ele encontra uma possível união tácita; a toxicodependência traduz a conquista duma mística obtida através da droga, quase sempre porque a sociedade, voltada para os valores materiais, nega ao jovem a espiritualidade.
A psicanálise analisa e interpreta, não empatiza; não obstante, o atmosférico relacional poder colorir-se de afecto, pelo fenómeno da transferência; ainda assim, não deverá aplicar-se na esquizofrenia como terapia, salvo raríssimas excepções.
O Ser humano incapaz, durante o ano, de se expressar porque submisso a convenções e a valores sociais, encontra no carnaval liberalização para escoar as suas tensões sociais reprimidas e, por isso, patogénicas, revelando assim a sua psicopatologia de temática mística, mítica, histórica, erótica ou outra; por isso o Carnaval confere protecção reequilibrante à sociedade. O carnaval é o orgasmo dos impotentes.
Valor é um sistema de convicções convencionadas que deve ser sujeito a juízo crítico; valor não é o que é, é o que deve ser de acordo com as conveniências políticas, económicas, mitológicas e outras..
Quando a materialidade for ultrapassada pela Arte e pelo Amor, o Homem será sábio.