Na existência, habitualmente vivida alienadamente, "Nada" é coisa nenhuma; é também um mito, - o Ser humano, porque desatento ao viver a sua existência, necessita de mitos; é ainda uma palavra que, em contexto, significa alguma coisa recusada, minimizada, anulada. "Nada" é algo esquecido no subconsciente ou no Inconsciente. Nunca o pensamento, a alegria e a tristeza, ainda que enterrados na nossa interioridade, fundeados no subconsciente ou desconhecidos no Inconsciente, poderão perder-se no "Nada"; eles influenciam e condicionam as acções e os comportamentos cognitivos e emocionais, os nossos gostos, preferências e decisões mesmo quando o nosso existir paulatinamente declina na lenta adaptação à "morte". O arquetípico Nada é o Todo.
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Veneza
Havemos de seguir em frente o itinerário de regresso a Veneza.
Hei-de palmilhar aquelas ruas marginais que me levaram ao cais, onde encontrei a alma veneziana de gente sem nome, do marinheiro, do estudante, do artista, do boémio, do intelectual, do angustiado, - do povo de Veneza.
Ao entardecer, quando começa a haver poente no canal e o Relógio da Torre badala as sete, hei-de sentar-me convosco numa daquelas mesas que atravancam São Marcos, a saborear o gelado com o prazer do costume mas tão diferente do habitual, naquele lugar e naquela hora, porque alheado na emoção causada pelo fascínio daquela praça - chic prostituta que, ao crepúsculo, entrega com elegância e sensualidade o seu corpo à multidão desconhecida e promíscua a deambular, entre revoadas de pombos, ao som de melodias de Chopin, de List e Debussy vindas das Arcadas,executadas por castiças orquestras; e, à mesma hora e no mesmo lugar, entrega a sua alma aos que, já nostálgicos, partem nas gôndolas, e aos apaixonados, aos artistas e também a mim, emocionalmente refém dum fascínio que me perde no passado imagético feito realidade naquele lugar e àquela hora.
Havemos de voltar a viver São Marcos. Temos de regressar a Veneza.
Hei-de palmilhar aquelas ruas marginais que me levaram ao cais, onde encontrei a alma veneziana de gente sem nome, do marinheiro, do estudante, do artista, do boémio, do intelectual, do angustiado, - do povo de Veneza.
Ao entardecer, quando começa a haver poente no canal e o Relógio da Torre badala as sete, hei-de sentar-me convosco numa daquelas mesas que atravancam São Marcos, a saborear o gelado com o prazer do costume mas tão diferente do habitual, naquele lugar e naquela hora, porque alheado na emoção causada pelo fascínio daquela praça - chic prostituta que, ao crepúsculo, entrega com elegância e sensualidade o seu corpo à multidão desconhecida e promíscua a deambular, entre revoadas de pombos, ao som de melodias de Chopin, de List e Debussy vindas das Arcadas,executadas por castiças orquestras; e, à mesma hora e no mesmo lugar, entrega a sua alma aos que, já nostálgicos, partem nas gôndolas, e aos apaixonados, aos artistas e também a mim, emocionalmente refém dum fascínio que me perde no passado imagético feito realidade naquele lugar e àquela hora.
Havemos de voltar a viver São Marcos. Temos de regressar a Veneza.
Tempo
A Felicidade é conteúdo do Tempo, do Eterno Presente; disse-me Einstein, numa destas noites, em um inesquecível sonho.
No Tempo-Felicidade não encontro saudade de passados, nem incertezas do presente, nem a inquietação de futuro; não encontro a velhice nem a infância, não encontro a adolescência nem a adultícia -- interpretações de percurso pseudocientíficas, tempos de ilusões, momentos de alienação.
Continuarei Feliz no Tempo, tempo sem Princípio nem Fim, continuarei Feliz em Eternidade; mas hei-de voltar, dizer isto mesmo e prosseguir até ao limite, até além de mais além, até ONDE – virtualidade necessária às minhas cogitações e, pelas minhas limitadas aptidões, imprescindível nos meus curtos vôos com asas feitas de resquícios de “penas” que me habitam o inconsciente.
No Tempo-Felicidade não encontro saudade de passados, nem incertezas do presente, nem a inquietação de futuro; não encontro a velhice nem a infância, não encontro a adolescência nem a adultícia -- interpretações de percurso pseudocientíficas, tempos de ilusões, momentos de alienação.
Continuarei Feliz no Tempo, tempo sem Princípio nem Fim, continuarei Feliz em Eternidade; mas hei-de voltar, dizer isto mesmo e prosseguir até ao limite, até além de mais além, até ONDE – virtualidade necessária às minhas cogitações e, pelas minhas limitadas aptidões, imprescindível nos meus curtos vôos com asas feitas de resquícios de “penas” que me habitam o inconsciente.
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
Paris
A emoção vagueava no atmosférico que unia os circunstantes anónimos que passavam, nos quais valores estéticos, culturais, humanos, eram traídos por um colorido pecaminoso de fascínio espectadorista que gritava Amor e Liberdade. A tontura febril dos deslumbramentos conferia uma catatimia ao ambiente de afecto que unia aquela gente em sentimentos de passado mítico, de anacronismos deliciosos feitos presente e projectados no futuro a cantar ansiedade de alegria de viver.
Foi uma noite interiorizada, em Paris, feita de sonho de mistérios mais reais do que a Rua onde me esquecia.
Foi uma noite interiorizada, em Paris, feita de sonho de mistérios mais reais do que a Rua onde me esquecia.
Memória
As mencionadas características referentes à memória nada têm de patológico; pelo contrário, expressam vigor e saúde mental.
O cérebro saudavel recebe informações, integra-as e trata-as de modo a aplicá-las eficientemente, respondendo assim a desejos e satisfazendo necessidades da própria pessoa.
É esta integração e este armazenamento a génese da memória cuja fidelidade, duração e incremento são tanto maiores quanto maior é a actividade cerebral exigida pela mente, isto é, pelo processo mental. Esta actividade psíquica, que deve ser repetitiva para que a memória se perpetue, consiste na conjugação da cognição com a afectividade, isto é, do pensamento com a emoção que o dinamiza e agiganta. É a perda de capacidade de admirar, de se apaixonar, conjugada com inactividade cognitiva que se verifica em muitos senescentes, que gera o esquecimento progressivo em razão inversa à aquisição do conhecimento,isto é, o senil esquece factos do tempo recente para o antigo; os últimos actos a esquecer são o de respirar e o de beber (mamar).
O cérebro regenera-se permanentemente pelo seu uso potenciado (trabalhar apaixonadamente); os neurónios regeneram-se preferencialmente nas zonas cerebrais mais usadas.
Aprendemos com o hemisfério direito do cérebro; memorizamos mercê da coordenação de várias regiões com destaque para o hipocampo, mas também com a amígdala límbica e com os lobos frontais, adquirindo aprendizagem, experiência e sabedoria, instrumental psíquico usado nos comportamentos extrínsecos e nos intrinsecos (o cérebro é o único órgão corporal que se pensa; pensa no pensamento); e comportamo-nos com o hemisfério esquerdo.
Como se infere, as suas preocupações traduzem-se em excelentes promessas futuras; elas expressam comportamentos que atrazam a involução das regiões referenciadas aprendendo, memorizando e agindo através da cognição , dos afectos, da memória, da intuição, da previsão e até, raras vezes, da premonição.
Tudo isto, na sua globalidade, é sabedoria, triunfo, alegria, felicidade; confere resiliência psíquica e consciência de Si.
O cérebro saudavel recebe informações, integra-as e trata-as de modo a aplicá-las eficientemente, respondendo assim a desejos e satisfazendo necessidades da própria pessoa.
É esta integração e este armazenamento a génese da memória cuja fidelidade, duração e incremento são tanto maiores quanto maior é a actividade cerebral exigida pela mente, isto é, pelo processo mental. Esta actividade psíquica, que deve ser repetitiva para que a memória se perpetue, consiste na conjugação da cognição com a afectividade, isto é, do pensamento com a emoção que o dinamiza e agiganta. É a perda de capacidade de admirar, de se apaixonar, conjugada com inactividade cognitiva que se verifica em muitos senescentes, que gera o esquecimento progressivo em razão inversa à aquisição do conhecimento,isto é, o senil esquece factos do tempo recente para o antigo; os últimos actos a esquecer são o de respirar e o de beber (mamar).
O cérebro regenera-se permanentemente pelo seu uso potenciado (trabalhar apaixonadamente); os neurónios regeneram-se preferencialmente nas zonas cerebrais mais usadas.
Aprendemos com o hemisfério direito do cérebro; memorizamos mercê da coordenação de várias regiões com destaque para o hipocampo, mas também com a amígdala límbica e com os lobos frontais, adquirindo aprendizagem, experiência e sabedoria, instrumental psíquico usado nos comportamentos extrínsecos e nos intrinsecos (o cérebro é o único órgão corporal que se pensa; pensa no pensamento); e comportamo-nos com o hemisfério esquerdo.
Como se infere, as suas preocupações traduzem-se em excelentes promessas futuras; elas expressam comportamentos que atrazam a involução das regiões referenciadas aprendendo, memorizando e agindo através da cognição , dos afectos, da memória, da intuição, da previsão e até, raras vezes, da premonição.
Tudo isto, na sua globalidade, é sabedoria, triunfo, alegria, felicidade; confere resiliência psíquica e consciência de Si.
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
A propósito de “Lentidão da Justiça”
A propósito de “lentidão da Justiça”
O Ser-Humano vale, aparentemente pelo que faz e realmente pelo que pensa e sente; não obstante o acto ser muito o resultado da qualidade dos pensamentos e das emoções do próprio, ele é também influenciado pelas opiniões e pelo conhecimento, nem sempre lúcido, que os outros têm dessa pessoa ou que esta deseja que eles tenham; neste caso, um ser-humano revela a sua personalidade, isto é, revela o que deseja aparentar, afim de que os outros confundam a aparência com a realidade.
É que o que parece não é porque, se fosse, não parecia, - era.
É habitual confundir-se carácter com personalidade; enquanto aquele é produto da nossa essencialidade, é psico-estrutura, esta, ao contrário do que se tem pensado, nem sempre é uma virtude, não é uma característica positiva dum ser-humano. Com efeito, o sufixo “idade” da palavra “personal-idade” indica temporalidade, precaridade, susceptibilidade de mudança de acordo com as circunstâncias, isto é, com os espaços em que a Pessoa se situa, e “personal” advém de “persona” – máscara usada na tragédia grega; isto é, a personalidade permite que o Ser-Humano cedendo às convenções, às tradições, a dogmas, à mentira, se adapte com grande volubilidade às ambiências, conforme as suas conveniências; a personalidade faz de Alguém ninguém.
Regressemos ao Ser-Humano perante a Justiça.
Sendo o Homem a sua cognição e emoção, estas influenciadas pela ambiência, principalmente a social, e simultaneamente também influentes da mesma, quando comete o ilícito não o comete quando age, mas sim no momento em que pensa, porque é o pensamento estimulado pela emoção que o conduz ao acto. Isto, conjugado com a morbidez da Lei e a sua disfuncional aplicação, é causa de enorme dificuldade do julgador, o que justifica e nos deve fazer compreender a apregoada lentidão. Mas também nos deve conduzir à tomada de consciência dos sentimentos e dos pensamentos que povoam a nossa interioridade relativamente ao acusado, os quais habitualmente estão feridos de intolerância ditada por ódio estrutural gratificante para o próprio, porque eles são pautados quase sempre por rancor, ódios, invejas, voluptuosidade em arrasar o Outro – o criminoso que necessita mais de ajuda que de punição. Porém, também eu repudío a lentidão da Justiça, não por desejos contaminados pelo ódio e exigentes de apressadas vinganças, mas sim porque a comunidade confunde, com grande prejuízo para o Ser-Humano, a qualidade de suspeito e de arguído com a de acusado e de Réu, e a de ilícito com a de crime, principalmente quando o que consubstancia o acto é a materialidade, é o dinheiro, como evidencia todo o universo da corrupção, de acusados e acusadores. Repudio a lentidão, também e ainda, gritando a minha angústia por ver punir um ser-humano 5 e 10 anos depois de praticar o crime, sendo certo que, nesse julgamento, é punida uma pessoa que não é a mesma de há 10 anos antes.
O Ser-Humano vale, aparentemente pelo que faz e realmente pelo que pensa e sente; não obstante o acto ser muito o resultado da qualidade dos pensamentos e das emoções do próprio, ele é também influenciado pelas opiniões e pelo conhecimento, nem sempre lúcido, que os outros têm dessa pessoa ou que esta deseja que eles tenham; neste caso, um ser-humano revela a sua personalidade, isto é, revela o que deseja aparentar, afim de que os outros confundam a aparência com a realidade.
É que o que parece não é porque, se fosse, não parecia, - era.
É habitual confundir-se carácter com personalidade; enquanto aquele é produto da nossa essencialidade, é psico-estrutura, esta, ao contrário do que se tem pensado, nem sempre é uma virtude, não é uma característica positiva dum ser-humano. Com efeito, o sufixo “idade” da palavra “personal-idade” indica temporalidade, precaridade, susceptibilidade de mudança de acordo com as circunstâncias, isto é, com os espaços em que a Pessoa se situa, e “personal” advém de “persona” – máscara usada na tragédia grega; isto é, a personalidade permite que o Ser-Humano cedendo às convenções, às tradições, a dogmas, à mentira, se adapte com grande volubilidade às ambiências, conforme as suas conveniências; a personalidade faz de Alguém ninguém.
Regressemos ao Ser-Humano perante a Justiça.
Sendo o Homem a sua cognição e emoção, estas influenciadas pela ambiência, principalmente a social, e simultaneamente também influentes da mesma, quando comete o ilícito não o comete quando age, mas sim no momento em que pensa, porque é o pensamento estimulado pela emoção que o conduz ao acto. Isto, conjugado com a morbidez da Lei e a sua disfuncional aplicação, é causa de enorme dificuldade do julgador, o que justifica e nos deve fazer compreender a apregoada lentidão. Mas também nos deve conduzir à tomada de consciência dos sentimentos e dos pensamentos que povoam a nossa interioridade relativamente ao acusado, os quais habitualmente estão feridos de intolerância ditada por ódio estrutural gratificante para o próprio, porque eles são pautados quase sempre por rancor, ódios, invejas, voluptuosidade em arrasar o Outro – o criminoso que necessita mais de ajuda que de punição. Porém, também eu repudío a lentidão da Justiça, não por desejos contaminados pelo ódio e exigentes de apressadas vinganças, mas sim porque a comunidade confunde, com grande prejuízo para o Ser-Humano, a qualidade de suspeito e de arguído com a de acusado e de Réu, e a de ilícito com a de crime, principalmente quando o que consubstancia o acto é a materialidade, é o dinheiro, como evidencia todo o universo da corrupção, de acusados e acusadores. Repudio a lentidão, também e ainda, gritando a minha angústia por ver punir um ser-humano 5 e 10 anos depois de praticar o crime, sendo certo que, nesse julgamento, é punida uma pessoa que não é a mesma de há 10 anos antes.
terça-feira, 10 de novembro de 2009
A propósito do tema “Progressos da Biogerontologia”
A propósito do tema “Progressos da Biogerontologia” do Prof. Manuel Carrageta (Tempo de Medicina de 26/10/09)
Os benefícios da restrição calórica foram já referidos, nos inícios do séc. passado por Walford que aconselhava, para uma Vida existencial alongada e saudável, comer o menos possível até atingir o limiar da desnutrição; baseava-se em investigações que então fizera em animais. Em síntese, uma dieta hipocalórica gera menos combustões, menos radicais livres de oxigénio, é propícia a estados meditativos e diminui o stress – causa primordial de toda a morbidez, por destruír capacidade imunitária, a homeostasia psicológica e o vigor espiritual.
O Ser-humano é, Ele próprio, o autor do metamorfismo do seu corpo; é o único responsável não só pela profilaxia, mas também pelas suas patologias e pela cura destas.
Entendo, por profilaxia, a manutenção do equilíbrio/reequilíbrio entre o Ser (essencialidade), o corpo e a ambiência e, por cura, a adaptação entre a Pessoa, o seu corpo e a sociedade em que está situada.
Estes deverão ser os conceitos médicos na especificidade da práxis gerontológica.
Os benefícios da restrição calórica foram já referidos, nos inícios do séc. passado por Walford que aconselhava, para uma Vida existencial alongada e saudável, comer o menos possível até atingir o limiar da desnutrição; baseava-se em investigações que então fizera em animais. Em síntese, uma dieta hipocalórica gera menos combustões, menos radicais livres de oxigénio, é propícia a estados meditativos e diminui o stress – causa primordial de toda a morbidez, por destruír capacidade imunitária, a homeostasia psicológica e o vigor espiritual.
O Ser-humano é, Ele próprio, o autor do metamorfismo do seu corpo; é o único responsável não só pela profilaxia, mas também pelas suas patologias e pela cura destas.
Entendo, por profilaxia, a manutenção do equilíbrio/reequilíbrio entre o Ser (essencialidade), o corpo e a ambiência e, por cura, a adaptação entre a Pessoa, o seu corpo e a sociedade em que está situada.
Estes deverão ser os conceitos médicos na especificidade da práxis gerontológica.
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