domingo, 3 de fevereiro de 2008

A Sede no Idoso

Numa visão bio-física, o envelhecimento do Ser-Humano caracteriza-se pela perda de massa protoplásmica metabolicamente activa, isto é, pela perda de células e, consequentemente, por declínio fisiológico; a estas mudanças biológicas outras se juntam, - são reacções que sendo perturbantes, são também homeostáticas como, por exemplo, o aumento da mono-amino-oxidase (MAO) directamente proporcional à idade cronológica do Idoso. Estas mudanças constituem o fundamento dos comportamentos que paulatina e progressivamente se desenvolvem na Vida existencial, através da senescência; refiro-me ao beber, à depressividade, à diurese, à sede e a outros.

Na ausência de patologia, o Idoso tem sede, uma sede local com oligosialose que se caracteriza por diminuição da salivação (aptialismo) e que resulta não só da involução anatómica e fisiológica das glândulas salivares, mas também do aumento da MAO, enzima que degrada as catecolaminas o que, por si só, aumenta a sede, mas diminui a diurese; consequentemente e respectivamente repõem e poupam a massa hídrica, isto é, aumentam-na.

Esta hipotrofia e declínio das glândulas salivares conjugada com o progressivo aumento da MAO explica a simultaneidade, no Idoso, da sede e da depressão; a diminuição da diurese tem originado alguns critérios errados neste contexto, - a administração de diuréticos os quais, obviamente agravam a situação. Toda a farmacoterapia do neuroticismo depressivo no Idoso, nomeadamente os inibidores da MAO (IMAO), aumenta as monoaminas biológicas e este aumento das catecolaminas e das indolaminas inibe a sede e melhora o estado depressivo, mas também aumenta a diurese o que pode agravar o desequilíbrio da balança hídrica pelo que é indispensável que o Idoso, mesmo na ausência da sede, beba água, sumos,infusões e outros líquidos.

Numa visão neuropsicológica, imprescindível nestas reflexões, a sede, esse interior grito biológico da homeostasia, condiciona a necessidade e a motivação que despertam o Idoso para o comportamento primário reequilibrante, o de beber; este psicodinamismo encontra a sua sede no hipotálamo que é a área encefálica da necessidade e da motivação e que é integrador dos sinais internos homeostáticos juntamente com o sistema límbico e o córtex órbito-frontal, circuito de interligação de todas aquelas áreas na psicofuncionalidade as quais são alvo de hipotrofia, hipofunção, inibições sociogénicas, lesões anatómicas, de factores condicionantes de variados patomorfismos, nomeadamente deste aqui referenciado.

Nos anos 50 do século passado tive na minha práxis médica alguns doentes então considerados idosos por terem mais de 65 anos; eram doentes mais envelhecidos que velhos que sofriam de aptialismo sem patologia conhecida como a síndrome de Sjögren, a diabétis, a desidratação, nefropatias, avitaminoses; alguns eram angustiados, outros (a maioria) eram dependentes do tabaco. Havia, então, no universo farmacêutico, ampolas injectáveis de "extracto de placenta" produzidas num laboratório português conhecido por Seixas Palma e por um outro suíço, laboratório Berna. O extracto de placenta tinha uma potencialidade notável não só na cura da oligosialose/aptialismo, mas também noutras situações patológicas tais como úlcera do colo do útero, úlceras varicosas, e outras. Mais tarde, ainda na década de 50, tive a oportunidade de verificar alguns notáveis sucessos de Paul Niehans que, em Genêve, procedia a terapias semelhantes mas mais complexas.

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