terça-feira, 30 de agosto de 2011

Inquietação versus Psicanálise


Em mim, em quem tenho sido e em quem sou, vive a saudade de Quem me sonho, o que inquieta cada instante do meu existir.

A impertinente megalomania flagela o homem que sou, dimensionado aos espaços e tempos em que me situo, através da vida existencial, submisso à memória conferida pela Consciência Teleológica da Espécie, enquanto aspiro ao Homem situado no Tempo-Espaço, ao Homem situado na Eternidade.
São as dimensões e as insuficiências do homem concreto que permitem o sonho que me pensa, sem me abismar no absurdo.

Eu, que estou pensando Universalidade estou, conscientemente limitado à minha exiguidade, a sonhar delirantemente o Homem que me vive.

Serei eu homem Real? Sou certamente um homem existente, corporalmente existente; um homem validamente concreto na minha personalizada aparência.

Qual a realidade do Eu?  Pensar-Me Real não será sonho? A realidade não será apenas um conceito sem correspondência a uma realidade? Será Verdade o que penso? Mas, se fosse Verdade o que penso ou o que sonho já não pensaria, por supérfluo. Será que  teimo em viver euforicamente a insatisfação mágica da procura, na inconsciência da minha frustração?

A dúvida e a insatisfação são bem mais sãs que a sua ausência, a despeito da apregoada bem-aventurada  pobreza evangélica; no entanto, estou convicto que as ideias de Eternidade e as de Essencialidade são  o produto mais perfeito que o Processo Mental constroi, o qual vigoriza a Obra do Homem, na sua criatividade de demiurgo.

Estas equações da consciência constrangem-me a uma viagem na interioridade do existir, confrontando-me com as tres camadas da psique: o inconsciente, o consciente e o sub-consciente.
A inconsciência é a “psicomatéria” da Essência do Ser, é espiritualidade; é Eu inato, inexistente, imaterial, que, em evolução ascendente para o Limite, é mudado/acrescentado pela consciência durante a vida existencial.

A consciência é um psicoprocesso do Ser humano inerente à vida existencial; é condicionada pelo inconsciente e pelas memórias teleonómicas da Espécie. A consciência não é um produto do cérebro mas é este que, tomando conhecimento dela, a anuncia; através do Processo Mental, ela impressiona o cérebro que, na sua reactividade bioquímica, gera pensamento emocional e, pensando o pensamento, toma conhecimento dum sentimento que é a consciência.

O subconsciente é um “armazém” de realidades conscientes inibidas, reprimidas ou rejeitadas.

Mente não é cérebro; deve ser entendida como Processo Mental, “rapport” entre inconsciente e consciente, acção entre o Ser e o cérebro.

Em síntese,
O Inconsciente é “substância” espiritual da Vida.
O consciente e o Subconsciente são “substâncias” psicológicas da existência.
O Cérebro é o órgão corporal mais relacionável com a Vida; é o único órgão que concede ao Ser humano conhecimento de ter consciência de que é consciente de ser consciente de Si.

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