domingo, 7 de agosto de 2011

Paradigma de Mudança

O tempo é de crise; a “substância” da crise é mudança, - mudança em viver a existência. A Hora é instável; o futuro nela contido é feito de insegurança angustiada, de perda de élan, de pessimismo.

Todo o Ser humano anela por uma vida existencial progressivamente melhor. Todo o Ser humano sofre injustiças que despertam ódios raras vezes inconsequentes, quase sempre de consequências dramáticas para a sua interioridade, expressas em reactividades comportamentais, estas também manchadas por um mimetismo injusto.

Estes comportamentos são emocionais e, por o serem, fogem à racionalidade pelo que o injustiçado tem dificuldade em compreender e em suportar a injustiça que o agride, atitude que lhe seria muito menos penosa que combatê-la com acções adulteradas (pensamentos, sentimentos e movimentos), com as quais elabora aqueles comportamentos reactivos, num contexto de acção-reflexão contaminado; melhor e mais digno é sofrê--la que praticá-la.

Este cenário, de desequilíbrios sem vislumbres de capacidades reequilibrantes, constitui o Estado do Mundo globalizado; conhecidas as suas causas, será uma inevitabilidade a mudança deste modelo sócio-económico. A relevância determinante desta complexa realidade estará no facto de a nossa inteligência e saberes se terem desenvolvido ao serviço do egoísmo, do ódio, da ambição exclusivamente material e na ausência de Espiritualidade que é a nossa Essencialidade, “cerne” dos verdadeiros valores humanistas que promovem, rumo à “Perfeição”.

Cada Qual terá de ser consciente de Si, dos limites e precaridades das suas possibilidades/capacidades materiais, para que não as ultrapasse acicatado pela ambição ilícita; consciente também das insuficiências dos outros (das materiais e das espirituais) para que, no alcance dos seus desejos, os realize sem atropelos injustos; e ainda terá de ser também respeitador das diferenças entre si e os outros, compreendendo-as e aceitando-as para que, livre de emoções invejosas que geram ódios, ressentimentos e infelicidade, admire e se congratule com a riqueza desses outros.

A meditação deve ser o sustentáculo deste novo paradigma no qual o Ser humano, através do pensamento dinamizado por nobres emoções, encontrará a dignidade de outros parâmetros de riqueza. A materialidade não deve continuar a ser apanágio exclusivo do”poder”; ela é, por definição de princípio, tendencial e progressivamente insatisfatória e sempre precária pelo que será necessário, imprescindível, mas apenas suficiente, que cada Ser humano compreenda que só o É entendido em globalidade sistémica biopsicossocial e espiritual, situado no Tempo e nos espaços entre outros, em dialéctica, a viver esta sua existência em “osmose” com o viver existencial de todos os outros; compreenda que ele é os outros, os outros são ele, todos somos nós.

Há muita “pobre gente rica”, entre a qual, provavelmente, alguns de nós se encontram, que é invejada por muitos de nós, por inconsciência, por carência de ética ou por défice de lucidez, - invejas escondidas e desenvolvidas num fraudulento “altruísmo” simulado e politizado em ideologias que negam a sua alma, a sua essencialidade, quando se concretizam, submissas, a sub-reptícios interesses “políticos” e que, para sobreviverem, procuram na eloquência e dentro de si mesmas a sua própria e pretensa “verdade”; justificam-se protegidas por convenções sociais e cometem religiosamente a ilegitimidade e a desonestidade de se apropriarem de materiais favoráveis e regeitarem os ameaçadores.

É desejável e inevitável que cada qual se afaste de Si próprio, na aproximação dos outros, para que experimente a Felicidade nas felicidades dos outros, naquele instante em que os ajuda a serem felizes; que cada qual lute, durante toda a vida existencial que lhe resta, pela realização dos seus sonhos, sem invejas, sem ódios, sem ressentimentos, vaidades, orgulhos e egoísmos que entristecem e aniquilam. É inevitável que, para nossa Felicidade, o conteúdo do tempo que chega seja de Amor – auto estima e estima pelo outro; que a Solidariedade – o novo rosto da Justiça, da Amizade, da compreensão, da honestidade, da Alegria e do Amor, seja uma constante no modelo de mudança que emerge no tempo que chega; ela mostrar-nos-á a grandeza do Ser humano fundamentada na dimensão espiritual do Ser e jamais na dimensionalidade dos “teres”.

O “ter” traiu-nos a todos, em qualquer um e em todos os cantos do Planeta.

Ninguém é corrupto por ser ou querer ser espiritualmente rico; a corrupção está intimamente ligada a riquezas materiais. Só o rico em espiritualidade pode atingir, em licitude, “riqueza” material que, quando sobeja, é devolvida àquela comunidade que legitimamente lute para a obter; nunca a riqueza deverá ser dada, mas sim honestamente conquistada por Quem a deseje e sempre com o maior respeito e compaixão pelos outros. Que nunca se excluam aqueles que, por défices físicos ou psíquicos ou por retardamento na evolução espiritual, não possam estar na “luta” por melhor qualidade de vida existencial; eles são a génese da nossa Felicidade, encontrada no acto de os ajudar a serem felizes.

...”de cada um, conforme as suas capacidades”
“a cada um de acordo com as suas necessidades”...

Sem comentários: